Domingo, 23 Abril 2017

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Daniel Dunglas Hume - O Medium Voador

"O Senhor Daniel Dunglas Home nasceu em 15 de março de 1833, perto de Edimbourg (Escócia). Tem, pois, hoje, 24 anos (artigo escrito por Allan Kardec em fevereiro de 1858). Descende da antiga e nobre família dos Douglas da Escócia, outrora soberana. É um jovem de talhe mediano, louro, cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrico; é de compleição muito delicada, de costumes simples e suaves, de um caráter afável e benevolente sobre o qual o contato das grandezas não lançou nem arrogância e nem ostentação.

Dotado de uma excessiva modéstia, jamais exibiu a sua maravilhosa faculdade, jamais falou de si mesmo, e se, na expansão da intimidade, conta coisas que lhe são pessoais, é com simplicidade, e jamais com a ênfase própria das pessoas com as quais a malevolência procura compará-lo. Vários fatos íntimos, que são do nosso conhecimento pessoal, provam nele nobres sentimentos e uma grande elevação de alma; nós o constatamos com tanto maior prazer quanto se conhece a influência das disposições morais sobre a natureza das manifestações.

O Senhor Home é um médium do gênero daqueles que produzem manifestações ostensivas, sem excluir, por isso, as comunicações inteligentes; mas as suas predisposições naturais lhe dão, para as primeiras, uma aptidão mais especial. Sob a sua influência, os mais estranhos ruídos se fazem ouvir, o ar se agita, os corpos sólidos se movem, se erguem, se transportam de um lugar a outro através do espaço, instrumentos de música fazem ouvir sons melodiosos, seres do mundo extracorpóreo aparecem, falam, escrevem e, frequentemente, vos abraçam até causar dor. Ele mesmo foi visto, várias vezes, em presença de testemunhas oculares, elevado sem sustentação a vários metros de altura.

Do que nos foi ensinado sobre a classe dos Espíritos que produzem, em geral, essas espécies de manifestações, não seria preciso disso concluir que o Sr. Home não está em relação senão com a classe íntima do mundo espírita. Seu caráter e as qualidades morais que o distinguem, devem, ao contrário, granjear-lhe a simpatia dos Espíritos Superiores; ele não é, para esses últimos, senão um instrumento destinado a abrir os olhos dos cegos por meios enérgicos, sem estar, por isso, privado de comunicações de uma ordem mais elevada. É uma missão que aceitou; missão que não está isenta nem de tribulações e nem de perigos, mas que cumpre com resignação e perseverança, sob a égide do Espírito de sua mãe, seu verdadeiro anjo guardião.

A causa das manifestações do senhor Home é inata nele; sua alma, que parece não se prender ao corpo, senão por fracos laços, tem mais afinidade pelo mundo espírita do que pelo mundo corpóreo; por isso ela se prepara sem esforços, e entra, mais facilmente que em outros, em comunicação com os seres invisíveis. Essa faculdade se revelou nele desde a mais tenra infância.

Com a idade de seis meses, seu berço se balançava inteiramente sozinho, na ausência de sua babá, e mudava de lugar. Nos seus primeiros anos, era tão débil que tinha dificuldade para se sustentar, sentado sobre um tapete, os brinquedos que não podia alcançar, vinham, eles mesmos, colocar-se ao seu alcance. Com três anos, teve as suas primeiras visões, mas não lhes conservou a lembrança. Tinha nove anos, quando sua família foi se fixar nos Estados Unidos; aí os mesmos fenômenos continuaram com uma intensidade crescente, à medida que avançava em idade, mas a sua reputação, como médium, não se estabeleceu senão em 1850, por volta da época em que as manifestações espíritas começaram a se tornar populares nesse país.

Em 1854, veio para a Itália, nós o dissemos, por sua saúde; espanta Florença e Roma com verdadeiros prodígios. Convertido à fé católica, nessa última cidade, tomou a obrigação de romper as suas relações com o mundo dos Espíritos. Durante um ano, com efeito, seu poder oculto parece tê-lo abandonado; mas como esse poder estava acima de sua vontade, a cabo desse tempo, assim como lhe havia anunciado o Espírito de sua mãe, as manifestações se produziram com uma nova energia. Sua missão estava traçada; deveria distinguir-se entre aqueles que a Providência escolheu para nos revelar, por sinais patentes, a força que domina todas as grandezas humanas.

Para o senhor Home, os fenômenos se manifestam, algumas vezes, espontaneamente, no momento em que menos são esperados. O fato seguinte, tomado entre mil, disso é uma prova. Desde há mais de quinze dias, o senhor Home não tinha podido obter nenhuma manifestação, quando, estando a almoçar na casa de um dos seus amigos, com duas ou três pessoas do seu conhecimento, os golpes se fazem súbito ouvir nas paredes, nos móveis e no teto. Parece, disse, que voltaram. O senhor Home, nesse momento, estava sentado no sofá com um amigo. Um doméstico traz a bandeja de chá e se apressa em colocá-la sobre a mesa, situada no meio do salão; esta, embora fosse pesada, se eleva subitamente e se destaca do solo em 20 a 30 centímetros de altura, como se tivesse sido atraída pela bandeja; apavorado, o criado deixa-a escapar, e a mesa, de pulo, se atira em direção do sofá e vem cair diante do senhor Home e seu amigo, sem que nada do que estava em cima tivesse se desarrumado. Esse fato, sem contradita, não é o mais curioso daqueles que teríamos a relatar, mas apresenta essa particularidade, digna de nota, de ter se produzido espontaneamente, sem provocação, num círculo íntimo, onde nenhum dos assistentes, cem vezes testemunhas de fatos semelhantes, tinha necessidade de novos testemunhos; seguramente, não era o caso para o Senhor Home de mostrar as suas habilidades, se habilidades havia." (1)

Outras manifestações:

O que distingue Daniel Douglas Home é sua mediunidade excepcional. Enquanto outros médiuns obtém golpes leves, ou o deslocamento insignificante de uma mesa, sob a influência do senhor Home os ruídos, os mais retumbantes, se fazem ouvir, e todo o mobiliário de um quarto pode ser revirado, os móveis montando uns sobre os outros.

Igualmente os objetos inertes, ele próprio é elevado até o teto (levitação), depois desce do mesmo modo, muitas vezes sem que disso se aperceba.

De todas as manifestações produzidas pelo Sr. Home, a mais extraordinária é a das aparições, segundo análise de Allan Kardec. Do mesmo modo, sons se produzem no ar ou instrumentos de música tocam sozinhos.

"Seguramente, se alguém fosse capaz de vencer a incredulidade por efeitos materiais, este seria o senhor Home. Nenhum médium produziu um conjunto de fenômenos mais surpreendentes, nem em melhores condições de honestidade." (2)

O senhor Home realizou várias experiências perante o Imperador Napoleão II. Durante essas experiências, obteve-se uma prova concreta da assinatura de Napoleão Bonaparte, com a presença da Imperatriz Eugênia, cujo fato aumentou grandemente sua fama.

Jamais esse excepcional médium mercadejou seus preciosos dons mediúnicos. Teve inúmeras oportunidades, mas sempre se recusou. Dizia ele: "Fui mandado em missão. Essa missão é demonstrar a imortalidade. Nunca recebi dinheiro por isso e jamais receberei."

Como todo o médium, o senhor Home foi caluniado e ferido em sua dignidade, mas nunca lhe faltou, nas horas mais difíceis, o amparo de seus mentores espirituais.

(1) Narração de Allan Kardec - Revista Espírita de 1858, mês de fevereiro.
(2) Narração de Allan Kardec - Revista Espírita de 1863, mês de setembro.

Fontes: Narração de Allan Kardec - Revista Espírita de setembro de 1863
A levitação de Daniel Dunglas Home na casa de Ward Cheney interpretado de uma litografia do escritor Louis Figuier, Os Mistérios da Ciência (1887)

"Dotado de uma excessiva modéstia, jamais exibiu a sua maravilhosa faculdade, jamais falou de si mesmo, e se, na expansão da intimidade, conta coisas que lhe são pessoais, é com simplicidade, e jamais com a ênfase própria das pessoas com as quais a malevolência procura compará-lo.

É uma missão que aceitou; missão que não está isenta nem de tribulações e nem de perigos, mas que cumpre com resignação e perseverança, sob a égide do Espírito de sua mãe, seu verdadeiro anjo guardião"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

Andrew Jackson Davis - Novo Espiritualismo

Andrew Jackson Davis, cognominado O "Pai do Espiritualismo Moderno", o "Allan Kardec americano", filho de pais humildes e incultos, nasceu, em 1826, num distrito rural do Estado de Nova Iorque (EUA), às margens do rio Hudson, entre gente simples e ignorante. Era um menino pouco atilado, falto de atividade intelectual, corpo mirrado, sem nenhum traço que denunciasse a sua excepcional mediunidade futura.

Tal como sucedeu com Francisco Cândido Xavier, o célebre médium brasileiro dos dias atuais, Jackson Davis começou a ouvir, nos derradeiros anos de sua infância, vozes agradáveis e gentis, seguidas de belas clarividências, nele se desenvolvendo ao mesmo tempo os dons mediúnicos - com aplicação em diagnósticos médicos.

Em 6 de março de 1844, provavelmente em corpo perispirítico, foi transportado da pequena localidade de Poughkeepsie, onde morava, às montanhas de Catskill, quarenta milhas distantes. Nestas montanhas encontrou dois anciães, que lhe revelaram ser seus mentores, posteriormente identificados como os Espíritos de Galeno e de Swedenborg. Foi este o primeiro contato que o rapazinho teve com os chamados mortos.

Com o tempo, sua mediunidade ganhou novos rumos. Quando em transe, falava várias línguas, inclusive o hebraico, todas dele desconhecidas, expondo admiráveis conhecimentos de Geologia e discutindo, com rara habilidade, intrincadas questões de Arqueologia histórica e bíblica, de Mitologia, bem como temas linguísticos e sociais - apesar de nada conhecer de gramática ou de regras de linguagem e sem quaisquer estudos literários ou científicos. De tal modo eram as respostas, que "fariam honra - segundo o Dr. Jorge Bush, professor da Universidade de Nova Iorque - a qualquer estudante daquela idade, mesmo que, para as fornecer, tivesse consultado todas as bibliotecas da Cristandade.

Sua pessoa chamou logo a atenção do Dr. Lyon, do Rev. Guilherme Fishbough e de muitos homens sérios e cultos, entre os quais sobressai o nome de Edgar Allan Poe.

Durante dois anos, Davis ditou, em transe inconsciente, um livro sobre os segredos da Natureza, dado a público, em 1847, sob o título "Os Princípios da Natureza". A ele Conan Doyle se referiu, dizendo ser "um dos livros mais profundos e originais de Filosofia" e conta, nos Estados Unidos, com dezenas de edições”.

Fato semelhante mais tarde se passaria, aqui no Brasil, com o médium atrás citado, o qual, nascido em meio igualmente pobre e inculto, e sem conhecimentos à altura, psicografou, aos vinte anos, a notável e originalíssima obra poética - "Parnaso d. Além-Túmulo.

Como este médium, Davis também recebeu muitos outros livros, cerca de trinta, em parte editados com o título geral de "Filosofia Harmônica", a ele transmitidos pela entidade espiritual Swedenborg. Dezenas de edições foram publicadas nos Estados Unidos, o que bem mostra o interesse que suas doutrinas reveladoras despertaram, conquistando milhares de prosélitos.

Davis não era um místico nem um religioso no sentido vulgar, e nem aceitava a revelação bíblica na sua interpretação literal. Todavia, era honrado, sério, incorruptível, amante da Verdade e sinceramente compenetrado de sua responsabilidade naqueles acontecimentos renovadores. Na sua pobreza material, jamais esqueceu a justiça e a caridade para com todos. Suas faculdades medianímicas chegaram a maior desenvolvimento depois dos 21 anos de idade, e ele pode então observar mais claramente o processo desencarnatório de várias pessoas, narrando o em todas as minúcias. Suas descrições estão concordes com inúmeras outras feitas por médiuns de diferentes países, adquirindo na obra mediúnica de Francisco Cândido Xavier complementação assaz relevante.

Antes de 1856, Jackson Davis profetizou o aparecimento dos automóveis e dos veículos aéreos movidos por uma força motriz de natureza explosiva, como também as máquinas de escrever e, ao que tudo indica, as locomotivas com motores de combustão interna. É extraordinária, pasmosa mesmo, a riqueza de detalhes que acerca desses inventos futuros Davis deixou estampados em sua obra "Penetralia", hoje centenária.

Afora isso, ele também predisse, em 1847, a manifestação ostensiva dos Espíritos com as criaturas humanas, frisando que não levaria muito tempo para que essa verdade se revelasse numa exuberante demonstração.

Sua obra inicial, de grande luminosidade, foi uma preparação para o aparecimento do Espiritismo, e numa de suas notas, datada a 31 de março de 1848, lê-se este significativo trecho:

"Esta madrugada um sopro fresco passou pelo meu rosto, e ouvi uma voz, suave e firme, dizer-me: "Irmão, foi dado início a um bom trabalho; contempla a demonstração viva que surge." Pus-me a cismar no significado de tal mensagem”.

Muito longe estava ele de supor que, justamente na noite do citado dia, as irmãs Fox, em Hydesville, conversariam, por meio de batidas, com o Espírito de um morto, inaugurando o grandioso movimento espiritista mundial.

Por causa desse fato, Jackson Davis passou a ser citado por alguns escritores espíritas como "o profeta da Nova Revelação”.

A série de livros sob o título geral de "Filosofia Harmônica", livros de alto nível moral e intelectual, seguiram
- se as "Revelações Divinas da Natureza", cuja recepção absorveu os anos seguintes de sua vida.

Mediante suas visões espirituais do Além, deste apresentou descrição bem aproximada da que os Espíritos forneceriam em diversos países, inclusive no Brasil, aqui pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, nos
livros do Espírito de André Luiz.

Davis viu por lá uma vida semelhante à da Terra, vida a que se poderia chamar semimaterial, com gostos e objetivos adaptados às nossas naturezas, que a morte não modifica. Viu que, nesse vasto Além, o trabalho científico, o artístico, o literário e o humanitário não cessam. Viu as várias fases e graus do progresso espiritual, referindo-se à causa que retardam a evolução humana.

A bem da Verdade, diga-se que os numerosos livros que ele deu a lume, de alto alcance doutrinário, diferem, em vários pontos, dos ensinos kardequianos, sem, contudo, estar com eles em contradição, salientando-se a lei das reencarnações, que Davis apresentou como não obrigatória para o progresso do Espírito, entendendo que o Espírito pode e deve progredir no Espaço, sem necessidade de reencarnar.

Jackson Davis avançou mais do que Swedenborg no levantamento dos véus que encobrem os mistérios da Vida, mas o emérito pedagogo Allan Kardec, missionário posterior, complementou-lhe e ampliou-lhe a obra, Baseado nas comunicações de muitos espíritos superiores, sob a égide do espírito da verdade.

Esta justa ressalva não empana e nem desmerece a real importância dos ensinos legados pelo grande médium norte-americano, a respeito dos quais o notável crítico E. Wake Cook disse serem capazes de reorganizar o mundo.

Nas viagens que, desprendido do corpo, fez ao Mundo dos Espíritos, Davis presenciou, num lugar a que chamou "Summerland", a educação harmoniosa das crianças desencarnadas, reunidas, por grupos, em grandes e belos edifícios, nos quais se lhes administrava instrução e cuidados especiais, tudo de acordo com a idade e os conhecimentos delas.

Davis ficou tão maravilhado com o sistema ali adotado e sua engenhosa organização que buscou concretizá-lo no plano terrestre. Daí nasceu o primeiro Liceu Espiritista, por ele fundado em 25 de janeiro de 1863, em Dodsworth Hall, Broadway, Nova Iorque. Esse movimento liceano ramificou-se nos Estados Unidos e propagou-se à Inglaterra, ao Canadá, à Austrália, etc.

O célebre vidente americano sofreu acusações caluniosas e críticas acerbas, contra ele assacadas pelos eternos malversadores da Verdade. Homem superior, a tudo se sobrepunha com tolerância evangélica e larga compreensão.

Nos últimos anos de vida, Andrew Jackson Davis dirigiu uma pequena livraria em Boston, e aos 13 de janeiro de 1910, com a idade de 84 anos, desencarnava na sua residência de Watertown, no Estado de Massachusetts, legando à Humanidade o exemplo dignificante de sua frutuosa existência.

Zeus Wantuil
Reformador (FEB) Abril 1978

Victorien Sadou Colaborador do LE

Ele nasceu em 07 de setembro de 1831 em Paris. Era originário de uma família modesta que possuía um olival em Cannet, próximo de Cannes. Depois de um Inverno rigoroso em que a geada causou grandes danos nas oliveiras, a família ficou arruinada.

O pai de Victorien, Antoine Léandre Sardou, resolve então instalar-se em Paris onde foi sucessivamente contabilista, professor de contabilidade, diretor de uma escola privada e preceptor.

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