Segunda, 19 Novembro 2018
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Sobre o Espiritismo


1 -O Espiritismo surgiu como contraponto cultural ao materialismo dominante. E por isso, pode ser compreendido, em termos de natureza do conhecimento, à semelhança da concepção materialista, como uma cosmovisão, uma mundividência ou um paradigma. Nele estão presentes as quatro esferas culturais do saber: ciência, filosofia, religião e arte. Seu projeto é axiomaticamente transdisciplinar, pois pretende realizar a religação das esferas culturais, desde os seus primórdios, propondo a aliança da ciência com a religião, apresentando respostas para as questões centrais da filosofia e descrevendo a perspectiva evolucionista da arte.

2-  A Cosmovisão Espírita admite que a “Substância Primordial” do Cosmos é o Espírito, considerado Princípio Inteligente do Universo. A matéria é um derivativo impermanente. Dessa “Substância Primordial” surgem os espíritos individualizados que se manifestam em formas evolutivas, do simples para o complexo, da ignorância à consciência plena, do trânsito mineral ao angelical.
3 – A descrição espírita da evolução ressalta que a mesma é uma expressão do progresso da manifestação do espírito entendido como essência, de origem divina, através das formas que compõem o mundo da existência. Assim o espírito cria seus veículos existenciais a exemplo do corpo e do períspirito, para melhor manifestar seu potencial divino. A ascese evolutiva apresenta características gerais em sua dinâmica. Podemos dizer que ela consiste em mais complexidades das formas, autoconsciência crescente, maior integração das individualidades, amplificação e deslocamento das escolhas e assimilação sintética das aprendizagens, com ampliação das manifestações automáticas - zona de determinismo - e liberdade com criatividade em novos horizontes existenciais. Subjacente a toda expressão evolutiva, há uma energética amorosa que se aprimora e conduz toda a ascese. Fundamentalmente, a evolução é uma manifestação da amorosidade intrínseca do ser, em diferentes graus de expressividade.  O mundo existencial, aquele em que se experiencia a evolução, pois a essência por definição é potência de natureza imutável, pode ser compreendido através de um modelo hierarquizado das forma e das suas qualidades. O conceito de evolução nestes termos é o pensamento estruturante para a análise de qualquer fenômeno existencial ou forma, definindo o seu “lugar” na grande sequência evolutiva, que constitui o Cosmos. Vale ressaltar que todos os seres estão encadeados, do átomo ao “arcanjo”.  E mais que isso, a evolução é um processo de integração através da aproximação das individualidades até a comunhão, gerando novas e mais complexas individuações. Equivale dizer que somos simultaneamente todo/parte, constituído e constituinte, formador e formado, unidade e coletividade. A evolução também pode ser descrita por um fenômeno criativo das formas fragmentárias, que vão se unificando do infinitesimal ao infinito, sendo finalmente o um e seu verso ou diversidade.
4 –A tese espírita compreende a humanidade como um dos momentos evolutivos da manifestação do ser. Daí porque, podemos percebê-la como parte de uma grande cadeia evolutiva, sendo no planeta terra, seu elo mais elevado hierarquicamente. Mas, ainda que seja o estágio mais elevado, vale ressaltar, não se trata do último e definitivo. Entendemos que há outras formas de existir, inconcebíveis ainda, como manifestação do ser imortal. Além disso recordemos que em nossa cosmovisão somos seres espirituais, experienciando uma vida humana. Daí resulta que além da dimensão física onde se situa o espaço-tempo da existência, simultaneamente, estamos vivendo em outras dimensões. Assim podemos dizer que se vive multidimensionalmente, e de forma simplificada, nos manifestamos em dois mundos: o físico e o espiritual. No momento atual, prevalece a consciência do mundo físico entre os seres que possuem corpo somático, o que favorece a existência de um pensamento diretor materialista, hegemônico na sociedade.
5 – A consciência materialista, entretanto, não é absoluta. Em qualquer época da humanidade, fenômenos ocorrem que não se enquadram nos limites sensoriais do espaço-tempo físico.  Na sua ascese, o espírito desenvolve percepções extrassensoriais anímicas e mediúnicas que lhes permite perceber-se,mais completo, e contatar com individualidades extrafísicas em experiências interexistenciais. Afirma-se que esta é uma dimensão emergente no processo evolutivo, comum a todos os seres humanos, e que permite uma ampliação da consciência da existência, pois inclui outras construções existenciais rotuladas como mundo espiritual, erraticidade, mundo astral.  A dicotomia ainda predominante na descrição dos seres humanos, considerados ora como encarnados ora como desencarnados, como se fossem dois mundos com uma difícil barreira de percepção para os possuidores de corpo físico, é decorrente da limitação do potencial do espírito, quando está também no mundo corporal, neste momento evolutivo. Não é uma realidade factual, pois sempre pertencemos pelo perispírito à erraticidade e como essência, permanentemente somos partícipes da verdadeira realidade espiritual. Esta limitação desaparece quando criamos novas condições e faculdades de percepção e entre elas está a mediunidade.
6 -O espírito no seu processo evolutivo utiliza-se de uma possibilidade de mudar seus veículos de manifestação. Uma das mudanças possíveis, de natureza oscilatória, é a autolimitação através da geração de um corpo físico. A este fenômeno chamamos encarnação. Seu oposto é a desencarnação, e a repetição do mesmo, denominamos reencarnação ou palingênese. Há, em cada nascimento, um objetivo ou propósito existencial que deve ser alcançado através das escolhas e das transformações subjetivas. Boa parte da encarnação é apenas um desvelar de qualidades já adquiridas em momentos ancestrais e a isto podemos chamar de desenvolvimento. Assim podemos dizer que aquilo que manifestamos, principalmente na infância e na juventude, em larga escala, já foi adquirido por experiências para criarmos um veículo humano, por hábitos construídos em outras encarnações. Fazer chegar nossa manifestação existencial ao estágio mais elevado já alcançado é o trabalho básico em cada existência corporal.  Usualmente gastamos uma parte dos nossos esforços para realizar redirecionamentos de qualidades e hábitos, pois na dinâmica evolutiva há a possibilidade de deixarmos a trilha principal e, sem involuírmos, pois não perdemos as verdadeiras conquistas em termos de manifestação do ser, procuramos atalhos que resultam em estagnação e geram automatismos, que precisam ser desfeitos para continuarmos nosso processo evolutivo.  Mas não podemos limitar nosso propósito existencial a este trabalho. Delineamos, usualmente antes da gestação, algo mais evoluído, como experimento criativo na ascese que estamos realizando.
7 –A experiência evolutiva da manifestação do ser acontece em todo o Universo, estando ele mesmo, em processo evolutivo. Portanto, não podemos restringir as manifestações da substância primordial ou princípio inteligente ao humano, ao terrestre ou mesmo ao universo físico. As descrições do mundo espiritual, ainda que codificadas para serem compreensíveis ao encarnado, apontam para a existência de vários universos não físicos, vidas impensáveis à mente humana e possibilidades de manifestação indescritíveis. Portanto, o Cosmos, do ponto de vista espiritual, é muito mais vasto que o infinito espacial e temporal, comportando múltiplas dimensões, além das tradicionais, e inusitados arranjos existenciais. Estas formas de organizações são reflexos do estágio evolutivo do ser que deverá alcançar o nível de espírito puro quando se torna Co-criador cósmico.  Daí concluir-se que a saga evolutiva do espírito, ainda nos reserva revelações e vivências impossíveis de ser compreendidas na atualidade. E, em que pese estarmos na atual encarnação, na maioria das vezes, centrados na experiência de nos manifestarmos como homem de bem, já vislumbramos muito além do humano como finalismo evolutivo.
8 –A substância primordial ou princípio inteligente do Universo é uma criação e, como tal, exige um criador que, no pensamento espírita, é a Causa Primária do Universo e Inteligência Suprema. Embora sejamos criados, somos partícipes geneticamente da natureza divina e nos percebemos, em linguagem figurada, como partículas de Deus. Com as atuais faculdades de percepção, O descrevemos com qualidades que julgamos pertinentes a um ser divino como bondade, justiça, misericórdia, ou com características racionalmente defensáveis como único, imutável, onipotente, onisciente. Também o compreendemos como imanente na sua própria criação e ao mesmo tempo, transcendente.  Na consciência humana atual, somos dualistas, pois nos vislumbramos separados e, por isso, é necessário um elo de ligação que chamamos fé, ou um modo de comunicação que denominamos prece. Entretanto, já percebemos que a separatividade é um efeito da limitada consciência atual e caminhamos para a completa unidade.
9 – Para que a evolução aconteça com mais eficiência no atual estágio humano, o Espiritismo se propõe a reviver a vida evangélica original e adota Jesus como modelo de perfeição para os homens. Assim, os seus ensinos e exemplos são considerados nosso vir-a-ser evolutivo. Em especial, e por ser mais consensual, difunde-se a moral do Evangelho de Jesus como a moral espírita. E subsidiando esta moral, divulga-se as vivências de Jesus acerca da sobrevivência à morte corporal, as manifestações mediúnicas do seu tempo, as lições sobre reencarnação por ele apresentadas, e a proposta de união com Deus, que culmina com o desafio de sermos perfeitos como Deus o é. O propósito do saber espírita, em última análise, é revitalizar o Evangelho para a contemporaneidade, confirmando-o através de vasta e bem documentada fenomenologia interexistencial e palingenésica;explicando muitos de seus ensinos, apresentados sinteticamente ou por meio de parábolas, utilizando-se de uma filosofia racional, revalorizando a busca da unificação com Deus, através das vivências da fé para alcançarmos a perfeição divina.
10 –O saber espírita, por sua própria natureza, não pode ser compreendido e interpretado por qualquer conhecimento de origem materialista. Seria utilizar a velha fórmula reducionista, querendo compreender o mais complexo pelo mais simples, a maior consciência por uma menor consciência. Pelo contrário, a ele compete, nos seus avanços promissores, incluir e transcender todo saber materialista que por mais vasto que nos pareça, não ultrapassa o mundo sensorial. Sua proposta de atuação, a semelhança do que ocorreu com os primeiros seguidores de Jesus, deve ser tão revolucionária que cause impacto social relevante. Para tanto, deve demonstrar experimentalmente, que a civilização contemporânea pode dar um passo significativo na evolução cósmica,adotando o espírito e suas manifestações como matriz da construção da sociedade, para refazê-la e promover a vida plena possível, na fase humana da evolução. Assim podemos sintetizar a missão do Espiritismo na sua vertente como movimento organizado,em dez propostas de ação no mundo:
I -Superar a cosmovisão materialista, atualmente hegemônica, incluindo-a na sua visão de mundo e transcendendo-a por apresentar uma perspectiva cósmica centrada no espírito.
II -Realizar a reintegração dos saberes e suas respectivas esferas culturais - Ciência – Filosofia – Religião e Arte – como expressão dos diferentes usos das faculdades psíquicas do conhecer – Intuição, sentimento, sensação, intelecto, vontade, imaginação.
III - Construir ou ampliar a consciência do ser como espírito imortal de origem divina, com ênfase na investigação da vida após a morte ou realidade do mundo espiritual.
IV -Demonstrar a natureza evolucionista das manifestações do ser - do átomo ao arcanjo - facilitando a sua percepção pelo espírito encarnado.
V - Facilitar a dinâmica interior evolutiva humana sob a forma de auto-educação.
VI - Experienciar em vivência pessoal e comunitária o ideário original do Evangelho, tendo Jesus como referência de espírito evoluído.
VII -Desenvolver uma relação essencial com o sagrado, aproximando-se da vivência em comunhão com Deus.
VIII -Fomentar relações interpessoais, sociais, comunitárias e ecológicas, com base na evolução do amor e ênfase no seu aspecto caridade.
IX -Promover a renovação das instituições sociais, com base nos princípios evolutivos da manifestação do espírito.    
X - Estimular a produção do saber, com base nas comunidades interexistenciais e nas experiências reencarnatórias.

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